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1922

Em 1922, o Sr. Ernesto Bortolo Gasperin e sua esposa, a Sra. Rita Dalla Chiesa Gasperin, seguindo uma tradição de família, deram início, no distrito de Tuyuti em Bento Gonçalves, a uma atividade que era tradição em sua terra natal, a Itália, região do Vêneto: o abate de suínos e bovinos e a fabricação de seus derivados. Nesta época, Bento Gonçalves contava com uma população de menos de 20.000 habitantes e a luz elétrica residencial era o mais novo e bem-vindo progresso.
No início o trabalho era totalmente manual, não existiam máquinas disponíveis, a atividade era limitada à fabricação de alguns poucos produtos crus e curados como: salames, copas, linguiças, morcelas, presunto cru, sabão, banha (que era o produto mais importante da época, pois além de anteceder o óleo de soja, servia como conservante de alimentos) e a venda de carnes in natura. O transporte nesta época era feito através de mulas que portavam cestos de vime, onde eram acondicionados, embrulhados em folhas de bananeiras. A comercialização era feita de casa em casa e em alguns armazéns existentes. Com o passar de alguns anos, o Sr. Ernesto Bortolo Gasperin e sua esposa resolveram mudar para a sede do município, Vila Isabel, depois denominado Bento Gonçalves. Em 1924 adquiriram uma área de terras e construíram o primeiro prédio. Na parte superior residia a família e na parte inferior foi instalada a Fábrica de Produtos Suínos de Ernesto Bortolo Gasperin. Seguindo sua intuição e seus conhecimentos, o prédio foi construído (na parte inferior) todo em pedra basalto, com paredes de 1 metro de espessura, o que permitia uma condição de controle ideal da temperatura, mantendo o local de trabalho e a sala de cura com uma temperatura média de 18ºC, ou seja, quente no inverno e fria no verão, com umidade média de 80%. Com seus negócios progredindo, vão sendo introduzidas algumas mudanças no que se refere às instalações, utensílios e maquinários. Surge o primeiro moedor de carne (manual), que logo é adaptado a funcionar acionado por um motor a gasolina. A produção aumenta e exige a contratação de mais colaboradores, agora ao todo são 15 trabalhadores.

1928

No ano de 1928, no mês de novembro, o Sr. Ernesto participa da Grande Exposição Feira Comercial Industrial e Agropecuária, na capital do RS, Porto Alegre, com dois produtos de sua fabricação: "Salame Tipo Italiano Aida" e "Sabão Alba", quando é premiado com diploma e duas medalhas de ouro. Os produtos da fábrica do Sr. Ernesto Gasperin ganham fama e passam a ser comercializados em municípios vizinhos.

1937

Em 1937 o filho mais velho, o Sr. Mário Antônio Gasperin, com apenas 14 anos, começa a participar dos negócios da família, sendo a segunda geração a dar seqüência ao ofício.

1945

Em 1945 as instalações já não são suficientes para o volume de produção que o mercado exige. Então é necessário ampliar. Sendo assim, outro prédio igual ao já existente é anexado ao primeiro, com a mesma arquitetura e formato. Os negócios prosperam, a linha de curados ganha novos mercados, a banha ainda representa muito no dia-a-dia das famílias.

anos 50

Nos anos 50 é construído um moderno matadouro, e o abate de suínos e bovinos é ampliado. A pequena fábrica se torna uma indústria em franco desenvolvimento: são acrescentadas embutideiras manuais de ferro fundido que agilizam, poupam o esforço dos colaboradores e aumentam a produção consideravelmente. O meio de transporte mais utilizado nesta época é o trem e, pela VIAÇÃO FÉRREA DO RIO GRANDE DO SUL, os produtos Aida chegam a municípios da fronteira, como Alegrete, Rosário do Sul, Quaraí, Uruguaiana, Bagé, Santa Vitória do Palmar e regiões mais próximas, como o Vale dos Sinos e a capital Porto Alegre. A marca Aida conquista novos mercados e firma-se como sinônimo de bons produtos. A linha de produtos aumenta, contando com os seguintes produtos: Salame Tipo Italiano, Salame Tipo Milano, Copa, Panceta, Toucinho Salgado, Lingüiça Defumada, Lingüiça Seca, Presunto Cru, Banha, Codeguin, Queijo de Porco, Morcela e carnes in natura, tendo sempre presente o esmero e a preocupação com a qualidade e a preservar conceitos tradicionais.

anos 60

Nos anos 60 com o advento da geladeira e do óleo de soja, as fábricas de banha, como eram conhecidos os frigoríficos na época, obrigam-se a mudar o foco de seus produtos e passam por uma grande transformação: precisam produzir menos banha e mais derivados da carne suína; têm de transformar o suíno banha em suíno carne. Nesta fase a Aida, que contava muito com a venda da banha, tem que se adaptar às novas tendências, e o Sr. Mário foi em busca dos conhecimentos necessários para ampliar a linha. Daí em diante, passou a produzir presuntos, apresuntados, salsichas, mortadelas, patês e lingüiça calabresa. A partir deste momento, com esta nova linha de produtos, a empresa aumenta sua participação no mercado regional. Ainda nos anos 60, os netos do Sr. Ernesto (terceira geração),Sr. Mauro Francisco, Sr. Luiz Bernardo e o Sr. Fernando Gasperin têm sua iniciação na empresa, cumprindo pequenas tarefas, mas já tomando conhecimento do conteúdo do ramo de atividade.

anos 70

Nos anos 70, a Aida é pioneira no Estado a fatiar produtos como mortadelas, apresuntados e presuntos em escala industrial. É a primeira empresa gaúcha do ramo a importar uma fatiadeira industrial que produzia 400Kg de fatiados/hora, oferecendo um serviço a mais a seus clientes, o que logo seria imitado pela concorrência. Nesta época as embalagens com fatiados tinham pesos de 1 e 2Kg, o que atendia bem os mercados e lancherias. Em 1985 a empresa monta em suas instalações um laboratório para dar suporte, qualificação e segurança aos produtos que fabrica. Neste laboratório são analisados, além das matérias-primas, os meios de produção e os produtos finais, dando origem ao conceito de que sempre se pode fazer melhor o que se faz bem, como bem demonstra a longa vida útil dos produtos Aida.

1986

Em 1986 já bem inseridos no ofício, a nova geração decide modernizar o parque fabril e adquire um conjunto de máquinas italianas (embutideira contínua, misturadeira e moedor com extrator de nervos), que passam a associar os conceitos tradicionais à moderna tecnologia. Nesta mesma época, a empresa firma convênio com a Afrigo (Associação dos Pequenos e Médios Frigoríficos do Rio Grande do Sul), com a UFSM (Universidade Federal de Santa Maria) e o Sebrae (Serviço Brasileiro de Aprendizado Empresarial), oportunizando aos seus colaboradores uma série de simpósios sobre modernas tecnologias de manuseio de carnes e seus derivados, além de cursos práticos de higiene e sanitização em indústrias frigoríficas, iniciando-se assim um constante investimento no elemento mais importante da sua planta fabril, o ser humano.

anos 90

Nos anos 90, a Aida, atendendo aos desejos dos seus consumidores, começa um trabalho de suavização da condimentação de toda a sua linha de produtos, tornando-os mais condizentes ao paladar das novas gerações, enfatizando a saúde e o bem-estar. Também nesta época diminui-se o tamanho das embalagens e seus porcionamentos, passando agora a embalagens de 200g em média. Nesta época já ensaiam-se os primeiros passos da atuação da quarta geração, através das filhas do Sr. Mauro, Janaína e Mariana Gasperin, que, cursando Publicidade e Propaganda e Administração de Empresas, respectivamente, preparam-se para dar continuidade aos negócios da família.

hoje

Na virada do século, atendendo às novas tendências de mercado, a Aida lança uma linha de produtos "light", com baixo teor de gordura e sal, o Salame Tipo Milano Light e o Culatello, produtos que logo conquistam boa parcela de consumidores ávidos por continuar a consumir produtos com sabor tradicional e ao mesmo tempo mais saudáveis.
Com a quarta geração plenamente entrosada na filosofia da empresa, já são manifestadas novas influências e, sendo assim, os produtos Aida, passam novamente por mudanças, principalmente no que se refere à apresentação visual das embalagens, ganhando um "layout" mais elegante, moderno e claro. A Aida é uma empresa familiar tradicional com mais de 80 anos de existência no mercado, e, neste percurso, sempre apresentou um trabalho sério e honesto, constituíndo não somente um patrimônio familiar mas sim um patrimônio histórico do seu estado e também do seu país.